PCA 2015 Main Event: Kevin Schulz arrasa mesa final e conquista $1,5 Milhões

Ao longo dos últimos anos, a América Latina tornou-se num berço de talento do poker - alguns cresceram ali, outros transportaram-no na sequência de uma emigração massiva de profissionais norte-americanos. O emergir do continente como uma potência nunca foi tão evidente como na tarde de ontem no Atlantis Resort, na Paradise Island, Bahamas, quando um peruano e um emigrante norte-americano do México chegaram ao heads-up do Main Event PokerStars Caribbean Adventure por um primeiro prémio de $1,5 milhões.

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Momentos de tensão na luta pelo título

No canto do peruano esta Diego Ventura, uma superestrela online que joga como "Die Ventura" na PokerStars. Ganhou o seu pacote PCA à última hora e só precisava de terminar em 4.º lugar para assumir a liderança da lista de jogadores do Peru com mais dinheiro ganho em torneios de todos os tempos. Procurava a forma mais brilhante de colocar na arena ao vivo o talento online, desde que superasse Kevin Schulz, um jogador de 28 anos actualmente a viver em Playa del Carmen, México. Schulz procurava levar o troféu da PCA para terras do Tio Sam pela primeira vez desde 2012.

Ventura e Schulz eram os últimos dois sobreviventes de um field de 816 participantes detes torneio de $10.000 de buy-in e haviam já superado 810 adversários para chegar à mesa de 6 jogadores do último dia.

A "estrelinha" esteve quase sempre do lado de Schulz durante as primeiras quatro horas de jogo e este chegou ao frente-a-frente final com uma vantagem de fichas de quatro para um. E apesar de Ventura ter dobrado com A♦9♥ contra um par de ternos de Schulz, reduzindo a desvantagem, isso não foi mais que um mero suspiro.

Sentado com K♥3♦ perante uma board 4♥6♦Q♠K♣6♣, Schulz apostou por valor no river. Ventura fez mais do que call. Foi all-in num check-raise ousado com o seu T♦4♦. Schulz pensou. O shove era de mais de 3 milhões. Mas, por fim, acabou por apanhar Ventura na última acção de uma intensa mesa final, onde eliminou todos excepto um dos seus adversários em menos de seis horas!

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Kevin Schulz: Campeão PCA 2015

"Estou muito feliz", disse Schulz, compenetrado no seu papel. A sua ruidosa claque já o "esmagara" efusivamente enquanto os confettis coloridos voavam pelo salão. "Acho que eles foram o meu grande apoio", concluiu.

"Acho que o poker é um jogo individual", prosseguiu. "Não tem a ver com países ou nacionalidades. Se tens dinheiro e o queres colocar em jogo, não importa de onde és". Depois, admitiu que tudo correu bem nos momentos mais importantes do final do torneio mas, além de se ter "sentido muito bem na mesa, também fiz algumas leituras muito boas de toda a gente, embora nunca se saiba o que vai acontecer".

Ganhou $1.491.580 e um luxuoso relógio SLYDE. Ventura ficou com a consolação de $907.080.

Uma ligeira alteração à habitual estrutura do EPT e da PCA deu origem a um penúltimo dia mais longo e a que apenas seis jogadores atingissem o último dia, em vez dos habituais oito.

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Os derradeiros seis (Esq-Dir): Niklas Hambitzer, Rami Boukai, Chance Kornuth, Kevin Schulz, Juan Martin Pastor, Diego Ventura

Chance Kornuth, outro pro americano, de Ft. Lauderdale, Florida, tinha a maior stack e toda a confiança do mundo em como não poderia perder. Mas perdeu "o gás" no último dia...

Depois das apresentações e dos nervoso miudinho a caminho do lugar, a mesa final começou com um interessante debate: Porque é que ninguém tinha de colocar a small blind? A resposta era simples: Pratyush Biddiga fora eliminado na última mão do dia anterior quando estava na big blind. O que significava que ninguém era a small blind na primeira mão do último dia e, felizmente, Juan Martin Pastor estava atento. Foi ele quem, amavelmente, explicou o que se passava a Kornuth e restantes jogadores.

Kornuth estava melhor quando deixava as fichas falarem por ele e na primeira mão envolveu-se com 8♠7♣, expulsando Ventura com o seu A♣Q♦ depois de nenhum dos dois ter atingido o que quer que fosse no flop e no turn. Kornuth prometera numa entrevista antes do início da final que ia "meter calor" e mantinha a sua palavra.

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Um homem a preparar-se para meter calor

E enquanto Kornuth podia fazer o que bem lhe apetecesse com a sua stack, Rami Boukai estava aflito com as suas 10 big blinds. Conseguiu fazer passar um shove sem que ninguém desse call, mas depois recebeu 3♣3♠ under the gun e teve um encontro imediato com o A♣Q♠ de Niklas Hambitzer na small blid.

Boukai não se importava, certamente, de fazer a corrida nesta fase, mas o flop trouxe logo 6♠7♥A♥ colocando Hambitzer na frente. E embora o 5♠ no turn lhe tenha trazido alguns outs extra, o 6♦ do river não era um deles. A presença de Boukai foi breve, mas o prémio de $285.740 deve dar para muito tempo, visto que até chegou aqui a partir de um satélite de $700 na PokerStars.

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E estava feito o dia de Rami Boukai...

A PCA é bem conhecida no calendário do poker pela sua capacidade de atrair jogadores de todo o planeta e os números do festival desta semana ainda foram inflacionados pela pareceria com o Latin American Poker Tour, que extravasou as suas fronteiras para incluir as Bahamas no calendário.

Mas se colocarmos esse pormenor de parte - afinal, a PCA é também uma data do European Poker Tour - o Main Event era seguramente o melhor palco para o contingente latino-americano e Juan Martin Pastor tornou-se no padrão em representação do poker argentino nos últimos níveis do torneio.

O jovem de 22 anos, de Buenos Aires, que já tinha chegado a uma mesa final do LAPT na Colômbia e também é Supernova Elite na PokerStars, cimentou a sua reputação ao longo de todo o evento. O seu percurso terminou no 5.º lugar, porém, quando todas as suas capacidades não foram suficientes para fazer o seu A♣K♦ superar os A♦A♥ de Schulz. Pastor abandonou a mesa sob o aplauso da maior e mais ruidosa claque desta mesa final e recebeu um prémio de $380.720.

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Adiós, Juan Martin Pastor

Depois, a stacks alternaram-se constantemente durante a acção a quatro, com Ventura a dobrar às custas de Kornuth, quando ambos atingiram top pair no flop mas o peruano tinha um kicker melhor. Depois, Kornuth fez um hero call contra Schulz que ficou longe de ser heróico: a sua Dama carta mais alta não chegava para os Reis e setes de Schulz e isso reduzia o chip leader do início do dia a menos de 2 milhões de fichas. Schulz, por sua vez, estava confortavelmente nos oito dígitos e controlava os acontecimentos na perfeição!

O dia mau de Kornuth chegou a dar a sensação de alguém em tilt, e quando fez shove de perto de 1.700.000, Niklas Hambitzer, o último europeu no field, deu snap-call com K♣J♠. O A♦7♥ de Kornuth estava à frente, mas o flop K♥7♠T♣ colocou Hambitzer em vantagem. Kornuth ainda parecia confiante, embora o seu torneio estivesse completamente me risco. E quando um novo 7♦ caiu no river, Kornuth era novamente um génio.

Hambitz estava, agora, em dificuldades e seria mesmo o senhor que se seguia no caminho do Cashier. Restavam-lhe cerca de 10 big blinds quando empurrou as suas fichas com A♠Q♦, bem à frente do Q♠9♠ de Schulz. Este parecia imparável e o flop 7♣9♦3♥ confirmou-o, sem que o turn ou o river o desmentissem. Hambitzer regressava a Londres, a sua nova casa, com $482.820.

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Niklas Hambitzer

Depois da eliminação de Hambitzer, Kornuth reassumiu o papel de short-stack, mas continuava confiante. E as coisas pareciam estar bem encaminhadas na vez seguinte que esteve all-in: o seu A♦8♦ dominava o A♥4♠ de Schulz.

O flop foi seguro: A♠5♣J♦, e mesmo o 3♥ no turn acrescentava apenas mais algumas cartas que podiam mandar Kornuth para o rail. Porém, o 2♠ no river completou o inside-stright de Schulz e extinguiu as esperanças de Kornuth. O chip leader do início da mesa final estava fora. Partia em 3.º com $641.140.

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Schulz e Kornuth

Restavam apenas dois adversários: Ventura e Schulz. O peruano prometia ser duro de roer e muita gente na sala pensou que poderíamos assistir a mais um titânico heads-up. Mas deu-se então o sensacional bluff e ainda mais sencaional call. Tudo chegava ao fim e Schulz era o novo campeão!

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Diego Ventura acarinhado pela sua claque

"Se nunca fizeram queda livre, têm de experimentar", comparou Schulz, ligando a sua vitória à sua outra grande paixão: saltar de aviões em pleno voo. "É fantástico. Mas ainda assim, esta vitória foi provavelmente a coisa mais intensa que vivi na minha vida".

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Kevin Schulz comemora a vitória com os amigos



PCA Main Event - 8 a 14 de Janeiro de 2015
Buy in: $10.000
Entradas: 816
Prizepool: $7.915.200

1 - Kevin Schulz, Estados Unidos, $1.491.580
2 - Diego Ventura, Peru, $907.080
3 - Chance Kornuth, Estados Unidos, $641.140
4 - Niklas Hambitzer, Alemanha, $482.820
5 - Juan Martin Pastor, Argentina, $380.720
6 - Rami Boukai, Estados Unidos, $285.740
7 - Pratyush Buddiga, Estados Unidos, $203.420
8 - Dylan Linde, Estados Unidos, $140.900

O EPT segue, agora, para Deauville no final deste mês, enquanto a PCA fecha as suas portas até ao próximo ano. Bons flops!

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