Como ganhei o Jogador do Ano das WSOP

Por George Danzer*

Que grande disputa! E ainda não caí em mim quanto ao facto de eu ter saído por cima!

Depois de um tão fantástico verão nas World Series of Poker em Las Vegas, é difícil descrever o quão feliz estou por as coisas terem corrido bem nas WSOP Asia-Pacific em Melbourne e eu ter conseguido ganhar o prémio de Jogador do Ano das WSOP.

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Mas, mesmo assim, vou tentar.

Talvez tenhas seguido a disputa do prémio POY WSOP (Player Of the Year WSOP) entre mim e o Brandon Shack-Harris que durou todo o calendário de 10 eventos em Melbourne.

Brandon começou as WSOP APAC com uma pequena vantagem em relação a mim nos pontos POY (752 contra 745,2) - menos de um mini-cach - o que, percebi, dava-lhe cerca de 50% de hipóteses de ganhar o POY, 40% de hipóteses a mim e 10% ao restante field. Alguns falavam da hipótese de Daniel Negreanu recuperar e apanhar-nos, mas teria de ganhar um par de eventos para consegui-lo, o que é muito difícil, mesmo para o Daniel Negreanu.

O Brandon teve um pequeno problema no início das Series. A sua bagagem extraviou-se, ou assim, e ele perdeu a primeira manga do Evento #1, o A$1.100 NLHE Accumulator, no qual podias jogar todos os três Dias 1 e acumular as fichas. Enquanto isso, eu tive um bom Dia 1A, subindo de 3.000 a 24.000 fichas. Foi então que ele chegou no Dia 1B, construiu uma stack de 20.000 fichas e não conseguiu mais.

Depois disso, acabámos ambos por somar pequenos prémios nesse evento, mas eu terminei um patamar de prémios à sua frente e, então, ao cabo do primeiro evento, tinha uma ligeira vantagem na liderança do POY (762,2 contra 760,5). Foi então que pensei que era o favorito para ser o Jogador do Ano, mas não estava à espera dos avanços e recuos que se seguiram.

Uns dois dias depois, eu e o Brandon estávamos na mesma mesa no Evento #4 (o A$1.650 NLHE Terminator) e fomos all-in um contra o outro numa situação de coin-flip. Eu tinha A♣K♣, ele tinha T♠T♥ e eu não atingi nada. Ele ficou com todas as minhas fichas e terminou em 6.º lugar, recuperando a liderança do POY (806,7 contra 762,2).

Depois foi a minha vez no Evento #6, o A$1.650 8-Game Dealer's Choice. Nesse torneio eu cheguei longe, ele foi eliminado cedo e eu precisava de terminar em 4.º lugar para ultrapassá-lo. Chegeui à mesa final mas não consegui dar seguimento ao bom torneio que estava a fazer e terminei em 6.º lugar, ficando, mais uma vez, muito perto da liderança (806,5 contra 798,5).

Então chegou o maior evento de mixed games, o A$5.000 8-Game (Evento #8). Pensei que seria uma boa oportunidade para ultrapassá-lo novamente, mas no final do Dia 1 eu tinha 9.000 fichas (de uma stack inicial de 15.000) e o Brandon seguia com 50.000. Era um arranque pior do que eu podia sequer imaginar.

Estava instalado num apartamento com o meu amigo Ismael Bojang, que é um grande jogador e também esteve muito bem nas WSOP APAC deste ano. Ele também ainda estava no Evento 8, mas lembro-me de um amigo se ter aproximado de nós e perguntado "Como é que estamos? Vamos ganhar isto, ou quê? E tanto o Ismael como eu abanámos a cabeça e respondemos "Nah... Ainda não vai ser neste".

Mas depois, tanto eu como o Ismael conseguimos bons arranques no Dia 2 e, após dobrar um par de vezes, estava nas 50.000 e fui mudado para a mesa do Brandon, onde ele estava reduzido a 10.000. Foi eliminado pouco depois e eu continuei a aumentar a minha stack e à medida que o dia se aproximava do fim eu estava cada vez mais perto da mesa final.

Na verdade, neste torneio a bubble do dinheiro era a mesma que a bubble da mesa final, uma vez que só os primeiros seis lugares eram pagos e eu precisava de entrar nos prémios para ultrapassar novamente o Brandon. Por isso foi uma bubble enorme para mim - a bubble da mesa final, a bubble dos prémios e (na minha cabeça) a bubble do Jogador do Ano também. Já só faltava o Main Event e o High Roller, por isso sabia que se o ultrapassasse ali tinha boas hipóteses de ganhar.

Ficámos reduzidos a oito jogadores e eu tinha cerca de 100.000 fichas. Havia tornado o meu jogo consideravelmente mais tight e, pouco depois, um jogador foi eliminado mas eu tinha perdido blinds e antes suficientes para descer às 30.000 (cerca de um quinto da média).

Foi então que tive sorte. Brian Rast também estava short e foi all-in com A♣K♥ contra os 4♠4♣ de Jonathan Duhamel durante a ronda de NLHE. Não gosto de torcer contra ninguém nestes spots, mas admito que estava a puxar para que a mão do Jonathan se aguentasse - e agentou! Cheguei aos prémios e à mesa final, o que me permitia passar o Brando na corrida ao POY.

Estava muito short de fichas no início da mesa final, tendo cerca de um terço das fichas do jogador mais próximo no chip count. Mas corri muito bem nas primeiras órbitas, dobrei algumas vezes e, depois, tripliquei numa mão de Razz e, sem mais nem menos, estava na média. Foi então que parti para a conquista do evento - a minha terceira bracelete - enquanto o meu amigo Ismael foi 4.º classificado.

~Depois disto, tinha uma grande vantagem sobre o Brandon (923,5 contra 806,7) e senti que estava muito bem posicionado para ganhar o POY. Mas já tinha visto o Brandon recuperar antes, por isso não estava completamente à vontade. Sabia que ele era bem capaz de fazer mais uma "deep run" e conquistar os pontos que precisava para me ultrapassar mesmo em cima da meta.

No Main Event tive uma grande mão logo no início onde tive de arriscar e perdi. Depois, no High Roller, tive um Dia 1 horrível e fui eliminado em apenas três níveis, acho. Não me restava mais do que ir lendo as actualizações para ver como o Brandos se estava a sair e ele deu-me mais uma enorme preocupação ao chegar longe no Main Event. Mas depois de terminar em 17.º nesse torneio e de não chegar aos prémios o High Roller, o POY era meu (923,5 contra 829,5).

Aqui fica um gráfico que vos dá uma ideia de como eu e o Brandon alternávamos a liderança do POY durante as WSOP APAC:

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O Brandon é um grande jogador e também um tipo simpático. Fomos jantar algumas vezes durante as Series e até debatemos algumas estratégias. Não senti que fosse uma luta hostil, mas sim amigável e focada. E penso que ambos gostámos de puxar assim um pelo outro.

No fim foi uma enorme satisfação. Era uma daquelas coisas que eu sentia que podia conseguir, talvez por ter ganho duas braceletes no verão e a minha confiança estar nos píncaros. Mas acho que o Brandon tinha o mesmo sentimento que eu, só que não podíamos ganhar os dois.

Que grande disputa. E que grande ano também - dos que acontecem uma vez na vida, diria. A menos que sejas o Daniel Negreanu.

*George Danzer é membro da Team PokerStars Pro

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