O homem por trás de "Nosebleed"

Para um jogo que tem cativado tanta gente ao longo de tanto tempo, o poker estava estranhamente subaproveitado pelos filmes documentários. Há, com certeza, uma mão cheia de filmes que, de alguma forma, exploraram este mundo peculiar - Bet, Raise, Fold e That's Poker saltam imediatamente à mente - mas nenhum nos encheu completamente as medidas.

No ano passado, porém, gerou-se um pequeno burburinho com o lançamento de um filme chamado Nosebleed, realizado pelo francês Victor Saumont. Apesar de ser inteiramente em francês e de focar-se quase exclusivamente nos jogadores gauleses Sebastien "Seb86" Sabic e Alex "Alexonmoon" Luneau numa fase em que estes fazem uma pausa temporária nos Cash Games de Limites Altos para jogar as World Series em Las Vegas, os tradicionalmente difíceis juízes dos fóruns de poker online declararam Nosebleed como um sucesso!

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Nosebleed (n)
1. Sangrar do nariz; 2. Palavra usada no Poker para definir os maiores cash games online

Com quase nenhuma divulgação e muito pouca atenção dos meios tradicionais, os espectadores de poker online exigiram uma versão em Inglês, oferecendo até dinheiro para obter o filme legendado. Saumont rapidamente arranjou a tradução e subiu-a ao seu canal no Youtube, onde obteve mais de 100.000 visualizações e granjeou aplausos unânimes.

"O melhor documentário de poker alguma vez realizado", disse um comentador. "Acho que este é o único documentário de poker interessante para as pessoas de fora do poker", acrescentou outro. Talvez o mais gratificante de todos seja um comentário que diz: "Este é um dos melhores documentários que alguma vez vi. Não é um documentário de poker, é um documentário, ponto final".

É muito elogiado, de facto, mas inteiramente merecido. À medida que Sabic e Luneau se revelam perante a câmara de Saumont - primeiro, em frente aos seus computadores na casa de Luneau em Londres, depois quando ambos partem à caça de braceletes em Vegas - obtemos uma visão sem precedentes da vida real de dois dos mais talentosos jogadores enigmáticos do poker de limites altos. Nosebleed captura todos os detalhes reais da existência de Sabic e Luneau: eles são tremendamente honestos sobre eles próprios, a sua luta e sobre os outros que com eles se cruzam pelo caminho.

Há muito pouca auto-bajulação ou paninhos quentes a amenizar espíritos mais sensíveis, apesar de os montantes que jogam serem atordoantes. Luneau, em particular, é um regular das mesas de $25-$50 Mixed Games online, que são das mais ricas e difíceis do mundo. Mas obedecendo à risca às regras que ditam a efectividade de um documentário, Saumont limita-se a sentar-se e observar tudo o que vê.

"Sinceramente, penso eu, era o que interessava neste filme", diz Saumont. "Ser invisível, vê-los e mostrar a realidade dos seus estilos de vida de forma honesta. Não mostrá-los como milionários, apenas estar com eles, viver com eles esta vida".

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Victor Saumont: a dedilhar para o Blog da PokerStars

Saumont, de 32 anos, está esta semana em Deauville, ocupando o seu lugar habitual na sala de imprensa do European Poker Tour. Nascido em Limoges, mas a viver em Paris, Saumont formou-se em edição de filmes antes de começar a sua carreira a produzir. Já trabalhou na área dos adereços, assim como na de edição, mas depois de descobrir o poker há vários anos passou a integrar também o staff da PokerStars.

É ele quem escreve o PokerStars Blog francês nos eventos ao vivo, durante os quais fez também diversos documentários sobre jogadores franceses. Estes ajudaram Saumont a ganhar a confiança de Sabic e foram a semente do que acabou por se tornar Nosebleed. "Fiz um filme aqui, no ano passado e há dois anos", diz Saumont. "Eles (Sabic e Luneau) viram esses filmes e acreditaram no meu trabalho. Foi por isso que aceitaram".

Nosebleed, na verdade, sofreu diversas alterações de rumo, mudando ligeiramente o foco em cada uma delas. Inicialmente, Sabic abordou Saumont com um pedido para fazer um filme sobre a sua namorada, que é pintora e escultora. No entanto, à medida que o jogador de poker começou a desfiar algumas das suas histórias nos jogos nosebleed, Saumont percebeu imediatamente que o próprio Sabic seria um tema fascinante pra um documentário, e mais ainda se o seu amigo Luneau pudesse estar também envolvido.

A dupla tem enorme reputação no círculo de poker francês, mas quase nunca fala à imprensa: Sobreviveram e divertiram-se em swings gigantescos, mas jamais partilharam como se sentiam com isso. "São muito conhecidos em França, mas nunca ninguém os filmou ou falou com eles", diz Saumont. "São misteriosos porque jogam limites altos e não disputam qualquer torneio... No início, a minha ideia era filmá-los no seu grind diário, mas quando disseram que iriam a Las Vegas jogar torneios, propuseram-me acompanhá-los. Não podia dizer que não".

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Sebastien Sabic e Alex Luneau em Nosebleed

Saumont não tinha nem tempo nem orçamento para juntar uma equipa de filmagem, mas depois de passar alguns dias a filmar em Londres, empacotou a sua fiel câmara 5D e rumou ao Nevada. Fez da viagem uma espécie de férias em trabalho, filmando Sabic e Luneau durante um período de cinco semanas onde os protagonistas se apaixonavam e desapaixonavam pelos torneios de poker ao vivo.

"Esqueceram a câmara muito rapidamente", revela Saumont. "Não os filmei todos os dias em Vegas; Não vivi no apartamento deles. Mas acho que aceitaram a câmara muito rapidamente. Em Londres foi um pouco estranho, mas em Vegas nem davam por mim. Simplesmente deixavam-me filmar".

A história de Nosebleed vai parecer familiar a muitos jogadores online que se fazem ao grind ao vivo pela primeira vez. Sabic rapidamente foi apanhado pela frustração e mudou quase imediatamente para os Cash Games. Mas Luneau, que confessa sonhar com ganhar uma bracelete das World Series desde a primeira vez que foi apresentado ao poker, decide enfrentar a variância de frente e mete mãos à obra. É a mistura do talento de Saumont como realizador de filmes documentários e os temas abordados que nos mantêm colados ao filme, apesar da erosão de muitos dos mais glamourosos mitos do poker.

"Achei-os muito normais", disse Saumont sobre Sabic e Luneau. "Eles não agem como ouvimos falar de Tom Dwan ou Isildur. Não esbanjam dinheiro, na realidade. São apenas uns tipos normais, mas é muito estranho vê-los a jogar por causa dos enormes montantes envolvidos. É de loucos. Mas nas suas vidas, são pessoas bastante normais".

Antes mesmo do fim do torneio em Deauville, esta semana, Saumont regressa a Paris e à escola de cinema. A sua primeira tarefa, ali, será escrever e produzir outra longa metragem e revela que há muito tempo que pensa em fazer, talvez, um romance inspirado no poker, entrando no domínio da ficção depois de uma carreira centrada essencialmente em documentários.

Para um jogo que tem cativado tanta gente ao longo de tanto tempo, o poker estava estranhamente subaproveitado pelos bons filmes de ficção. Esperemos que Saumont consiga preencher esse vazio. "Acho que é possível fazer um bom filme sobre poker", diz. "Talvez o tente".

Assiste ao Nosebleed no vídeo abaixo:

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