Chad Brown: 1961-2014

Chad Brown foi amigo de James Bond, enfrentou um assassino maníaco, ganhou um campeonato de baseball e ganhou mais de $3,6 milhões a jogar cartas. Modelo, actor, jogador de baseball e lenda do poker, Brown viveu sempre de uma forma tão intensa que muitos julgavam não ser possível. Faleceu esta noite, em Nova Iorque, após uma longa batalha contra o cancro. Tinha 52 anos.

A vida de Brown é algo que Hollywood não consegue recriar. Filho de um gambler, cresceu a acompanhar o seu pai nas salas de poker clandestinas. Pelo caminho, aprendeu Gin Rummy com jogadores que aguardavam por uma vaga nas mesas.

"Desempenhava o mesmo papel entre os jogadores que o Poker Chinês desempenha hoje em dia", explicou uma vez. "As pessoas jogavam Gin Rummy enquanto esperavam que o jogo de poker começasse".

O cérebro de Brown tinha um cantinho especial para jogos. Eram como ele os pensou, como ele os aprendeu e como os jogou com o seu pai. Os dois jogaram competitivamente até ao dia em que Brown faleceu.

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Na altura em que Brown entrou para a Universidade, percebeu que tinha mais do que cérebro para jogar; tinha também corpo para isso. Jogador de baseball universitário, Brown mudou-se para Yonkers com o seu pai para integrar o programa de baseball na sua área. Quase que se transformou na sua vida, mas o seu rosto brilhava nos ecrãs e as câmaras gostavam da cara de Brown tanto quanto os pitchers detestavam o seu swing.

"Tive de fazer escolhas", disse. "Acabei por optar por jogar numa liga inferior a fim de dar seguimento a uma carreira de actor".

Com pouco mais de 20 anos, Brown teve o seu primeiro grande papel no filme "Blood Rage", contracenando com a primeira mulher de Woody Allen, Louise Lasser. Teve a estranha honra de ser assassinado com um facão junto a uma piscina numa cena com a sua amante na película.

Foi mais ou menos pela altura em que era amigo das maiores estrelas de cinema da época. Entre as suas histórias favoritas está a noite em que Roger Moore o apanhou no hotel para irem juntos a uma festa.

"Quando voltei da festa, todos os funcionários do hotel queriam um autógrafo meu", recordou em 2013. "Afinal de contas, o James Bond tinha vindo à minha procura... por isso deiva ser famoso. Admito que me diverti bastante com a situação".

Hollywood é um lugar instável e, pouco depois, Brown deu consigo de volta às origens. A sua carrreira pode tê-lo afastado dos jogos de rummy da sua juventude, mas o seu cérebro guardara tudo o que aprendera nas salas de jogos com o seu pai. No início dos anos 90, Brown já ganhava a vida a jogar poker. Acabou por tornar-se num dos melhores jogadores de Mixed Games de poker e - graças à sua experiência em televisão - um respeitado comentador de poker na TV. A sua distracção na juventude tornou-se no seu emprego, algo que ele adorava mais do que qualquer outra pessoa que tivesse passado duas décadas nas mesas. Um pouco por todo o lado, os jogadores conheciam e respeitavam o homem conhecido como Downtown Chad Brown. Respeito era um bem que Brown valorizava tanto como qualquer coisa que tenha ganho.

"Aquilo é que é um verdadeiro campeão", disse uma vez sobre outro jogador de baseball, Mariano Rivera. "Uma representação de classe que sabe tão bem o que vale quanto as suas capacidades e que, ainda assim, nunca deixou de respeitar os que com ele competiam".

A carreira de poker de Brown é algo que deve fazer inveja a qualquer jogador. Viajou pelo mundo e somou mesas finais no European Poker Tour e World Poker Tour. Em 2006, ganhou o prémio de Jogador do Ano da Bluff Magazine, uma distinção que equiparou a ganhar um Óscar. Tornou-se num valioso membro da Team PokerStars Pro e representou a sua sala online favorita em inúmeros países.

"Sempre foi extremamente competitivo no que quer que optasse por fazer na vida - quer fosse a jogar baseball, a representar ou a jogar poker", referiu o seu amigo Nolan Dalla. "Ainda assim, Brown sempre teve um comportamento exemplar e preocupou-se muito com os outros. Em 20 anos nas mesas ou fora delas, nunca o vi levantar o seu tom de voz ou sair da linha. Nunca!"

Durante as suas duas décadas no poker, Brown foi uma presença constante nas World Series of Poker, onde chegou aos prémios em 38 ocasiões. Apesar de ter tido três deep runs, nunca ganhou uma bracelete WSOP. Era uma tema sobre o qual falou até ao final da sua vida.

"Embora alguns fãs de poker queiram atribuir a uma bracelete o mesmo tipo de valor que, digamos, os fãs de desporto atribuem à conquista de um campeonato, não é, de todo, a melhor forma de definir a carreira de um jogador de poker. Afinal de contas, um verdadeiro bom jogador de poker sabe que só por alguém ganhar uma bracelete, isso não faz dele um verdadeiro grande jogador de poker. Para mim, pessoalmente, se não ganhar nenhuma, sei que isso não definirá a minha carreira".

E Brown tinha razão nisso, mas poderia não fazer ideia do quanto. Durante as WSOP 2014 em Las Vegas, Brown vivia as suas últimas horas num hospital de Nova Iorque. Viveu o suficiente para ver as WSOP atribuírem-lhe uma bracelete honorária.

"Ao longo desta luta, (Chad) ajudou muitos de nós a perspectivar a vida", disse um emocionado Jack Effel durante a cerimónia. O Director de Torneio das WSOP ergueu no ar a bracelete enquanto centenas de jogadores se ergueram em honra do Downtown Chad Brown. Brown estava no extremo oposto do país, mas os amigos que estavam consigo junto à sua cama dizem que ainda arranjou forças para erguer a mão e receber um "high-five" pela sua conquista. Recebeu a sua bracelete pouco antes de falecer. Os amigos colocaram-na no seu pulso enquanto descansava na cama do hospital.

"Se quiseres sentir-te uma vítima, é a tua opção", disse Brown nos últimos meses. "Eu não me sinto uma vítima. Todos temos a opção de escolher quando se trata de como queremos encarar o que estamos a viver".

"Nunca ouvi o Chad a contar uma história de uma bas beat", disse Lee Jones, da PokerStars. Mesmo que tivesse acabado de levar a pior bad beat de sempre, mantinha o seu sorriso e preferia ouvir a tua história do que contar-te a dele".

"Se alguma vez tiver de passar por algo semelhante ao que Brown passou, só espero conseguir encará-lo com um quarto das forças com que ele o fez. Aprendi imenso com Chad Brown e quero agradecer-lhe por isso", disse o seu amigo e antigo manager da Team Pro, John Caldwell.

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Embora nunca tenha jogado em grandes ligas, Brown jogou baseball até aos útimos anos da sua vida e ganhou um campenato a fazê-lo. Apesar de nunca ter ganho um Óscar, a sua face tem mais horas de televisão do que a maior parte das pessoas que conheces. Apesar de atingido pelo cancro, continuou a jogar poker e a ganhar dinheiro até não conseguir mais sentar-se à mesa. Pode nunca ter sido o homem mais reconhecido nas várias carreiras que escolheu, mas foi sempre aquele que nunca desistiu. E isso valeu-lhe o respeito de todos os que o conheceram.

Apesar de a bracelete das WSOP ter chegado imediatamente antes do seu falecimento, os que o conheceram sabem que Chad Brow não o encarou como uma honra derivada da sua morte. Foi uma celebração da sua vida. Visto por outro prisma: uma bracelete não definiu a sua vida. A sua vida definiu a bracelete e Chad Brown definiu o que significa viver.

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