Portugal Poker Series: João Nunes e Nuno Coelho em entrevista mútua

ps_news_thn.jpgAs Portugal Poker Series arrancam já dentro de pouco mais de um mês e o mundo PokerStars está ansioso pelo início do seu mais recente circuito de torneios de poker. Vilamoura, a "casa mãe" do EPT em Portugal vai acolher o primeiro evento e, para promover esse acontecimento que terá lugar entre os dias 14 e 17 de abril, os companheiros do PokerStars Blog internacional lembraram-se de lançar um desfio ao coração da Team PokerStars Pro Portugal.

O desafio era simples. Ou não... Quando se pede a um advogado e, ao mesmo tempo, profissional de poker, bem como a um diretor de um site de notícias de poker e, ao mesmo tempo, profissional de poker para assumirem, por momentos, uma terceira profissão, a coisa pode tornar-se complicada. Mas os Team PokerStars Pros portugueses Nuno Coelho e João Nunes não se saíram nada mal...

O desafio consistia em fazer destes dois jogadores, pertencentes à elite da PokerStars, jornalistas por um dia. Cada um tinha de elaborar uma bateria de cinco perguntas para fazer ao outro, de forma a divulgar um pouco mais da realidade do poker nacional aos jogadores estrangeiros que possam, eventualmente, estar interessados em visitar o nosso País por ocasião das Portugal Poker Series.

Fiquem, então, com o resultado final!

***

João Nunes entrevista Nuno Coelho

Nunes:
Como advogado, achas que tens vantagem quando tentas persuadir os teus adversários com o teu discurso nas mesas?

Coelho: Sim, claro. Como podes imaginar, falar bem é essencial para ter sucesso na minha profissão. Como costumo dizer, tenho dois trabalhos. Sou advogado durante a semana e profissional de poker aos fins-de-semana. Não é uma tarefa fácil ser profissional de poker e esquecer o meu trabalho diário. Como tal, tento tirar vantagem das minhas capacidades como advogado e como profissional de poker e utilizá-las sempre que posso. É o que tento fazer quando falo nas mesas: levar os adversários a desistir de mãos melhores por via da minha capacidade argumentativa.

Nunes: A resença do poker nos media está a crescer por via da publicidade, de artigos em jornais e na televisão. Como vês isto?

Coelho:
Não há dúvida de que a cobertura mediática é muito importante. A excelente cobertura ajuda a ensinar mais pessoas sobre um jogo que alguns ainda pensam não passar de sorte ou azar. Ajuda a trazer novos jogadores para o jogo, que são atraídos pelos enormes prémios anunciados.

Acho que esta presença nos media é muito importante, mas ao mesmo tempo tem de haver alguma precaução na forma como é promovido, pois o poker não é tão fácil como às vezes pode parecer.

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Nuno Coelho

Nunes: Achas que o poker em Portugal continua a crescer ou já estabilizou?

Coelho:
O poker no nosso País continua a crescer mas acho que o "boom" já passou. No futuro próximo, o desafio é estabilizar um desporto que é uma novidade para a nossa sociedade. Isso será um trabalho duro. Temos de explicar que há uma forte componente estratégica no poker e não tenho dúvidas de que os media têm um importante e proeminente papel nesta tarefa.

Nunes:
Achas que o nosso mercado tem capacidade para se aguentar, agora que, como dizes, o boom passou?

Coelho:
Na verdade, não sei. Há muita oferta neste momento e não acredito que o nosso mercado a possa aguentar. Penso que, num futuro próximo, os organizadores de torneios têm de se adaptar e perceber que não precisamos de tantos torneios. Precisamos de eventos mais apelativos com prémios garantidos e melhores estruturas de jogo. Essa será a forma de assegurar o futuro deste desporto. Se a situação continuar como está, acredito que levará a uma redução do número de jogadores ao vivo.

Nunes:
Tens seguido os processos de regulamentação do jogo online em toda a Europa? Em Itália e França os residentes só podem jogar em salas com adversários do mesmo país e em Espanha a lei que está a ser discutida rejeita esta mesma linha.

Coelho: Sigo as notícias mas não sei como resultará se o tentarem implementar no nosso País, pois não tenho qualquer conhecimento em relação a essa regulamentação.

Mas se o jogo em Portugal fosse regulado como em Itália e França, seria a morte do poker online uma vez que somos um País pequeno e não há volume suficiente com o atual número de jogadores. O mais certo seria esta medida levar os poucos profissionais existentes a procurar outros países para viver e jogar. Espero que o que está a ser discutido em Espanha possa ser tomado como exemplo noutros países da União Europeia, mas tudo depende dos legisladores. Vamos esperar para ver, mas seria importante que os jogadores de poker portugueses pudessem ter uma palavra a dizer neste processo.

Nuno Coelho entrevista João Nunes

Coelho:
Quem é o João Nunes e como decidiste tornar-te profissional de poker?

Nunes:
Sou um ex-jogador profissional de basquetebol, de 35 anos, casado, com dois filhos e louco por desporto. Após 15 anos a competir ao mais alto nível na Liga Portuguesa de Basquetebol, era impossível para mim abandonar a competição diária. O poker surgiu-me como um desafio constante que me entusiasmou e incentivou a melhorar todos os dias.

Coelho:
Qual é a realidade do poker em Portugal? Achas que ainda há muito a fazer para evoluir?

Nunes:
Acredito que o poker em Portugal ainda está em expansão. Hoje em dia toda a gente fala de poker, ou viu um programa de TV sobre isso ou até tem um amigo que ganha a vida a jogar poker. Também podemos considerar que o jogo está, agora, numa fase mais madura, mas a minha crença pessoal é que estamos perto do último passo.

Para dar este último passo, precisamos de duas coisas: Programas de poker nos principais canais de telvisão de sinal aberto e uma personalidade bem conhecida da atualidade portuguesa que dê a cara como porta-voz deste jogo. Estes foram dois pontos chave noutros países e nós não devemos ser diferentes.

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João Nunes



Coelho:
Poker ao vivo ou online? Quais são, para ti, as principais diferenças?

Nunes: É difícil escolher, uma vez que cada um tem os seus encantos. A grande vantagem do poker online é a ação 24 horas por dia, 7 dias por semana, em qualquer lugar, com muitas mesas e torneios a decorrerem ao mesmo tempo.

No poker ao vivo, só se pode jogar numa mesa de cada vez. Este é o seu principal ponto negativo. Mas a sensação de ter as cartas verdadeiras na mão é especial, bem como o desafio de aguentar a pressão que os outros jogadores te colocam enquanto tentas ler-lhes a mente. Isto faz-me preferir a ação ao vivo. Ainda assim, andam de mãos dadas e julgo que se completam um ao outro.

Coelho: Do que gostas mais: jogar poker ou fazer os comentários na televisão portuguesa?

Nunes: Essa é uma pergunta difícil! Acho que gosto igualmente das duas coisas. Estar na mesa de poker é um desafio constante. A expetativa de superar os adversários e ganhar um grande prémio é inigualável.

Por outro lado, sinto-me muito satisfeito ao ajudar a divulgar o jogo e ajudar os outros a percebê-lo através dos meus comentários televisivos. Esses são momentos relaxantes, onde te divertes a ver algo que simplesmente adoras e ao mesmo tempo estás a fazer um bom trabalho a explicar algo simples ou estratégias mais elaboradas e complexas.

Coelho: Qual será o futuro do poker no Mundo? Julgas que a evlução constante das leis de jogo vão matar prematuramente este fenómeno?

Nunes: É preciso jogar um torneio ao vivo para perceber que o poker vai ter uma vida longa. É verdade que as leis de jogo que estão a surgir por todo o lado nos obrigarão a dar pequenos passos em frente e outros atrás, especialmente nesta fase de transição. Quando tudo se resolver, não tenho quaisquer dúvidas, o poker vai ser enorme!

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